O mundo dos canabinoides vai muito além do CBD e do THC. A planta de canábis produz uma família de compostos que os investigadores catalogam e estudam há décadas. Entre os menos conhecidos, mas cientificamente interessantes, está o CBGV, ou canabigerovarina. Este artigo explica o que é, como se relaciona com outros canabinoides e o que se sabe sobre ele segundo a investigação disponível.
O que é o CBGV e como se relaciona com o CBG
O CBGV (canabigerovarina, ou cannabigerovarin em inglês) é a forma varínica do CBG (canabigerol). Na família dos canabinoides, as formas “varinas” ou “varínicas” são versões dos canabinoides principais com uma cadeia lateral mais curta: têm um grupo propilo (C3) em vez do grupo pentilo (C5) dos canabinoides convencionais.
O CBGV deriva do ácido canabigerovarínico (CBGVA), que por sua vez provém do ácido olivetólico, um precursor biossintético presente na planta de canábis. O CBGVA atua como precursor de outras formas varinas: o THCV (tetra-hidrocanabivarina), o CBDV (canabidivarina) e o CBCV (canabicromovarina).
Esta relação precursor-produto faz com que o CBG seja para os canabinoides convencionais o que o CBGV é para os canabinoides varinas: o “pai” da subfamília. No entanto, a quantidade de CBGV na maioria das variedades de canábis é muito pequena — tipicamente inferior a 0,1% — e não costuma aparecer nos COA dos produtos comerciais de CBD.
Como funciona e onde se encontra
O CBGV, tal como o CBG, atua sobre o sistema endocanabinoide e sobre outros recetores, embora a sua farmacologia específica esteja menos estudada do que a do seu análogo convencional. Tal como o CBG, o CBGV não é psicoativo: não se liga com elevada afinidade ao recetor CB1, responsável pelos efeitos psicoativos do THC.
As variedades de canábis com concentrações relativamente mais elevadas de canabinoides varinas existem, mas são raras. Algumas landraces africanas — variedades tradicionais não cruzadas que crescem de forma selvagem em certas regiões — têm maior proporção de formas varinas do que as variedades europeias cultivadas. O CBDV (canabidivarina), a forma varínica do CBD, tem recebido mais atenção dos investigadores do que o CBGV, especialmente no contexto da epilepsia.
O que diz a investigação científica
A investigação específica sobre o CBGV é muito escassa. A maior parte do que se sabe sobre os canabinoides varinas provém de estudos sobre o THCV e o CBDV, os mais investigados deste subgrupo. O CBGV surgiu em alguns estudos de caracterização de variedades de canábis e em investigações sobre a biossíntese de canabinoides, mas até à data não foram publicados estudos relevantes de farmacologia do CBGV em modelos animais ou humanos.
Isto não significa que não seja interessante: significa que é uma área de investigação muito incipiente. A diversidade de canabinoides produzidos pela planta de canábis é tão ampla que a ciência passou décadas a tentar caracterizar os mais abundantes e só recentemente começou a explorar os minoritários, como o CBGV.
CBGV em produtos de espetro completo
Para os utilizadores de produtos de CBD de espetro completo, o CBGV pode estar presente em vestígios muito pequenos que normalmente não são detetados nem reportados nos COA padrão, por estarem abaixo dos limiares de quantificação habituais. A sua presença no perfil de canabinoides da planta é mais um indicador da complexidade bioquímica da canábis enquanto planta.
Do ponto de vista do utilizador, o conhecimento sobre o CBGV é mais relevante para compreender a riqueza do perfil canabinoide das flores e extratos de espetro completo do que para procurar o composto especificamente, uma vez que não há produtos no mercado que o contenham em concentrações significativas.
Fontes e referências científicas
- Russo, E.B. (2011). “Taming THC: potential cannabis synergy and phytocannabinoid-terpenoid entourage effects.” British Journal of Pharmacology, 163(7), 1344–1364.
- ElSohly, M.A. & Slade, D. (2005). “Chemical constituents of marijuana: The complex mixture of natural cannabinoids.” Life Sciences, 78(5), 539–548.
- Izzo, A.A. et al. (2009). “Non-psychotropic plant cannabinoids: new therapeutic opportunities from an ancient herb.” Trends in Pharmacological Sciences, 30(10), 515–527.
Os produtos da maionais.com destinam-se a uso tópico ou decorativo e não têm efeitos psicoativos. Não são medicamentos nem substituem tratamentos médicos. As referências a estudos publicadas neste site não constituem alegações médicas oficiais; consulte um profissional de saúde em caso de dúvida. Todos os produtos dispõem de análises de THC < 0,2 % em conformidade com o Real Decreto espanhol 1729/1999 e a Lei checa n.º 167/1998. A utilização deste site para fins ilícitos é estritamente proibida. Greenfield Distribution s.r.o. · CZ21848858 · Hřebenkách 815/130, 150 00 Praga.