O embalamento em atmosfera modificada é uma técnica de conservação habitual na indústria alimentar que está a ser cada vez mais adotada no setor da canábis e do CBD de gama alta. O azoto, pelas suas propriedades inertes, é o gás mais utilizado neste tipo de embalamento. Este artigo explica porque funciona, em que difere do embalamento a vácuo e quando faz sentido como técnica de conservação para flores de CBD.
Porque é que o oxigénio é o principal inimigo da flor
O oxigénio atmosférico (O₂) reage com os canabinoides, os terpenos e outros compostos da flor em processos de oxidação que degradam a sua qualidade. O CBD oxida-se lentamente, transformando-se em compostos inativos. Os terpenos, responsáveis pelo aroma, são especialmente vulneráveis: a oxidação altera o seu perfil de forma irreversível, apagando os aromas mais delicados.
Além disso, o oxigénio favorece o crescimento de microrganismos aeróbios (bactérias que precisam de oxigénio para sobreviver) e, na presença de humidade, pode contribuir para o aparecimento de bolor. Reduzir ou eliminar o oxigénio dentro da embalagem é a estratégia mais eficaz para abrandar todos estes processos de deterioração.
Embalamento a vácuo vs embalamento em azoto: diferenças
O embalamento a vácuo elimina praticamente todo o ar da embalagem, incluindo o oxigénio. É eficaz para a conservação, mas tem uma desvantagem para as flores: a pressão negativa esmaga a estrutura delicada da flor, comprimindo os tricomas e alterando o seu aspeto. Num produto em que a apresentação visual faz parte da qualidade percebida, isto é um inconveniente significativo.
O embalamento em azoto (ou em atmosfera de azoto) resolve este problema. Em vez de eliminar o ar, desloca-o injetando azoto (N₂), um gás inerte, no interior da embalagem. O resultado é um interior sem oxigénio, mas com pressão normal: a flor não é esmagada e mantém a sua estrutura. O azoto não reage com os compostos da canábis, não tem cheiro e é totalmente seguro.
Como funciona o processo de embalamento em azoto
O processo de embalamento em azoto para canábis requer equipamento específico. O procedimento básico é o seguinte: as flores são colocadas numa embalagem hermética (normalmente um saco com fecho selável ou um frasco com válvula), o ar do interior é purgado com uma corrente de azoto e, de seguida, a embalagem é selada hermeticamente.
Existem equipamentos de embalamento em azoto de diferentes gamas, desde sistemas manuais básicos (cilindro de N₂ com regulador de pressão e bico) até linhas automatizadas de embalamento em atmosfera modificada (MAP) que controlam com precisão a composição do gás no interior. Para produtores artesanais, os sistemas mais simples são perfeitamente funcionais.
O azoto para uso alimentar e industrial está disponível em garrafas junto de empresas distribuidoras de gases técnicos. É importante utilizar azoto de qualidade certificada e não azoto industrial não purificado, que pode conter vestígios de contaminantes.
Quanto prolonga o azoto a vida útil
A conservação em azoto pode prolongar de forma muito significativa a vida útil das flores de CBD em comparação com o armazenamento numa embalagem normal com ar. Em condições de temperatura controlada (15-20 °C) e ao abrigo da luz, estudos em produtos vegetais análogos sugerem que a eliminação do oxigénio pode prolongar a vida útil entre 3 e 5 vezes face ao embalamento convencional.
Para flores de CBD de gama alta destinadas a distribuição com períodos longos entre a produção e a utilização, o embalamento em azoto pode significar a diferença entre um produto que chega ao cliente com o perfil aromático intacto e outro que perdeu visivelmente as suas qualidades durante o transporte e o armazenamento.
Utilizações no mercado de CBD de qualidade
O embalamento em azoto está a tornar-se um padrão de qualidade para o CBD premium. Os produtores que competem no segmento mais alto do mercado, flores indoor de variedades selecionadas com perfis terpénicos complexos, utilizam o azoto como argumento de diferenciação e garantia de qualidade. A presença de válvulas de azoto na embalagem ou a indicação “embalado em atmosfera protetora” no rótulo são sinais de que o produtor investiu na qualidade do processo de conservação.
Fontes e referências científicas
- Kader, A.A. (2002). “Postharvest Technology of Horticultural Crops.” University of California Agriculture and Natural Resources, Publication 3311.
- Booth, J.K. & Bohlmann, J. (2019). “Terpenes in Cannabis sativa — From plant genome to humans.” Plant Science, 284, 67–72.
- Chandra, S. et al. (2017). “Cannabis cultivation: Methodological issues for obtaining medical-grade product.” Epilepsy & Behavior, 70, 302–312.
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